O preço de um certificado energético em Portugal tem duas metades e só uma é negociável. A taxa de registo no portal SCE está fixada por portaria, é igual em todo o território e vai de 28,00€ num T0 a 65,00€ num T6 ou superior, mais IVA. O resto é o trabalho do perito qualificado, e é aí que os orçamentos divergem. Quem escolhe pelo preço mais baixo não está a poupar na taxa, porque essa não muda: está a comprar menos levantamento. Vender ou arrendar sem certificado válido é contraordenação punível com coima de 250€ a 3.740€ para pessoas singulares e de 2.500€ a 44.890€ para pessoas coletivas (Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro, Art. 35.º, n.º 1). A Certificação Energética InspectOS é emitida por perito qualificado reconhecido pela ADENE.
Índice
- De que é feito o preço de um certificado energético?
- Quais são as taxas ADENE em 2026?
- Quanto se paga no mercado por um certificado de habitação?
- O que está a comprar na metade negociável do preço?
- Quem paga, quando paga e o que fica incluído?
- Perguntas Frequentes
De que é feito o preço de um certificado energético?
O preço divide-se em taxa de registo no SCE, fixada por portaria e igual em todo o país, e honorários do perito qualificado, que não são tabelados.
A confusão começa no nome. Muita gente chama "taxa ADENE" ao preço do certificado, e não é isso. A taxa é a componente regulada: o valor que a ADENE cobra pelo registo e emissão do certificado no portal do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE). Está fixada por diploma, é idêntica em Lisboa, no Porto ou em Tavira, e varia apenas com o tipo e a dimensão do edifício.
A segunda componente são os honorários do perito qualificado (PQ), o profissional de arquitetura ou engenharia inscrito na ADENE com credencial ativa. Esses honorários não têm tabela. Variam com a localização do imóvel, a distância que o perito percorre, a complexidade dos sistemas técnicos instalados e o tempo que o levantamento leva.
O que aparece no orçamento é a soma das duas, normalmente com o IVA já incluído e sem discriminação. Pedir a discriminação é o primeiro passo útil de quem está a comparar propostas, porque metade do valor é a mesma em todas elas.
O SCE é gerido pela ADENE e supervisionado pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), ao abrigo do DL 101-D/2020 na sua redação atual, alterada pelo Decreto-Lei n.º 11/2025, de 19 de fevereiro. O regime geral do certificado, com as situações em que a obrigação nasce e o processo de emissão, está no guia sobre o certificado energético em Portugal.
Quais são as taxas ADENE em 2026?
As taxas de registo vão de 28,00€ a 65,00€ na habitação e de 135,00€ a 950,00€ no comércio e serviços, mais IVA em ambos os casos.
Para edifícios e frações de habitação, a taxa varia por tipologia:
- Tipologias T0 e T1: 28,00€
- Tipologias T2 e T3: 40,50€
- Tipologias T4 e T5: 55,00€
- Tipologia T6 ou superior: 65,00€
Para edifícios e frações de comércio e serviços, a taxa varia com a área interior útil de pavimento:
- Área igual ou inferior a 250 m²: 135,00€
- Área superior a 250 m² e igual ou inferior a 500 m²: 350,00€
- Área superior a 500 m² e igual ou inferior a 5.000 m²: 750,00€
- Área superior a 5.000 m²: 950,00€
A todos estes valores acresce IVA à taxa legal em vigor.
Os montantes constam da Portaria n.º 349-A/2013, de 29 de novembro, alterada pela Portaria n.º 115/2015, de 24 de abril e pela Portaria n.º 39/2016, de 7 de março, que é a que fixou os valores em vigor. Confirme a tabela no portal do SCE (sce.pt) antes de fechar um orçamento, porque os valores são fixados por diploma e mudam por diploma. A página de contexto ADENE explica o papel da entidade e onde consultar um certificado já emitido.
Duas coisas que a tabela não é. Não é o preço do certificado, pelas razões acima. E não é um valor que o perito escolha: o perito cobra-a ao cliente e entrega-a à ADENE no momento do registo.
Quanto se paga no mercado por um certificado de habitação?
O intervalo corrente para habitação situa-se entre 120€ e 250€ mais IVA, com a taxa de registo já incluída nesse valor.
Esse é o intervalo que aparece nas propostas de gabinetes de certificação e no jornalismo de mercado sobre o tema (idealista/news, dezembro de 2025; habitissimo; tabelas de honorários publicadas por práticas de certificação).
Trabalhe o intervalo ao contrário e o quadro fica claro. Num T2, a taxa de registo é 40,50€. Um orçamento de 140€ deixa cerca de 100€ para a deslocação, a visita, o levantamento da envolvente, o registo fotográfico, o cálculo e a responsabilidade profissional pelo documento. Um orçamento de 220€ deixa cerca de 180€ para o mesmo trabalho. A diferença entre as duas propostas não está na taxa. Está inteiramente no tempo que alguém vai passar dentro do imóvel.
A geografia entra por aí. Um imóvel no interior alentejano ou na serra algarvia obriga a uma deslocação que um apartamento no centro de Lisboa não obriga, e é honesto que isso apareça no preço. Um orçamento muito abaixo do intervalo para um imóvel distante merece a pergunta óbvia sobre quanto tempo o perito tenciona lá estar.
A escala do sistema ajuda a perceber por que razão o mercado se comprimiu. A ADENE registou cerca de 2,88 milhões de certificados entre 2008 e 2024, a um ritmo recente na ordem dos 175.000 a 250.000 por ano (ADENE, Energia em Números, 2025). É um mercado maduro e competitivo, e a concorrência incide sobre a única metade que pode variar.
O que está a comprar na metade negociável do preço?
Os honorários do perito pagam o levantamento presencial, e é o levantamento que determina se a classe atribuída resiste ao escrutínio na venda.
O certificado classifica o imóvel numa escala de A+ a F com base no desempenho energético estimado. Para chegar lá, o perito avalia a envolvente do edifício, as paredes exteriores, a cobertura, os pavimentos, os vãos envidraçados e a qualidade do isolamento, e depois os sistemas de climatização e de águas quentes sanitárias. Nada disso se faz a partir da planta.
Um levantamento apressado tende a assumir por defeito onde devia medir. Assume a solução construtiva da parede em vez de a verificar, assume o tipo de vidro, assume o rendimento do equipamento. As omissões não se distribuem ao acaso: empurram a classe para o valor médio da tipologia, que às vezes é generoso e às vezes é penalizador.
Os dois lados desse erro custam dinheiro em momentos diferentes.
Uma classe atribuída acima do que o imóvel sustenta é um problema no momento da venda. O comprador informado, ou o banco a avaliar o imóvel, olha para a classe, olha para as caixilharias de alumínio sem corte térmico, e a conversa muda. Um certificado que não descreve o imóvel é um argumento de negociação entregue à outra parte.
Uma classe atribuída abaixo do que o imóvel sustenta é dinheiro perdido no anúncio, e um certificado válido durante 10 anos na habitação. Não se corrige com um telefonema.
E há uma terceira coisa que o levantamento presencial produz e o cálculo à distância não: a lista de medidas de melhoria que o certificado tem de incluir. Feita a sério, diz ao proprietário onde é que o investimento muda a classe. Feita por defeito, é uma lista genérica que ninguém usa.
Vale a pena separar o que o certificado avalia do que não avalia. Avalia desempenho energético ao abrigo do DL 101-D/2020. Não avalia estrutura, não avalia humidade, não avalia a instalação de gás nem a instalação elétrica. Um comprador que confunde os dois documentos fica com uma informação e uma ilusão de cobertura. A verificação física do imóvel é outro trabalho, tratado no guia sobre o que verificar antes de comprar casa.
Quem paga, quando paga e o que fica incluído?
Paga o proprietário ou quem pede a emissão, no momento da emissão, e o certificado tem de chegar ao comprador ou inquilino antes da assinatura.
A taxa de registo é paga por quem solicita a emissão, o proprietário na esmagadora maioria dos casos, e também o promotor imobiliário ou o senhorio. Na prática o pagamento passa pelo perito, que apresenta depois um valor global.
O prazo é a parte que mais se descura. O certificado tem de ser entregue ao comprador ou ao inquilino antes da assinatura do contrato, e os anúncios de venda e arrendamento têm de exibir a classe de um certificado válido. Encomendar o certificado na véspera da escritura é encomendá-lo tarde.
Falhar isto é contraordenação. A coima vai de 250€ a 3.740€ para pessoas singulares e de 2.500€ a 44.890€ para pessoas coletivas (DL 101-D/2020, Art. 35.º, n.º 1). Comparada com o intervalo de 120€ a 250€ de um certificado de habitação, a coima mínima sozinha paga o documento com folga.
Dois casos particulares valem nota. Um pré-certificado não é o certificado: identifica-se pela designação e não serve para escriturar. E a isenção dispensa o certificado mas não dispensa o papel, porque um imóvel isento continua a precisar de declaração de isenção; quem está dispensado, e quem julga estar sem estar, é o tema do guia sobre a isenção de certificado energético.
Quanto ao que fica incluído, peça a discriminação. Um orçamento completo cobre os honorários do perito, a taxa de registo no SCE e o IVA, sem valores a acrescer depois. O orçamento InspectOS é apresentado nessa forma, e a Certificação Energética é emitida por perito qualificado reconhecido pela ADENE, com cobertura em Lisboa, Porto, Algarve e restante território continental. Sobre a trajetória regulatória que torna a classe cada vez mais relevante no crédito e na venda, veja o guia sobre a Diretiva EPBD em Portugal.
Perguntas Frequentes
Quanto custa um certificado energético em 2026?
Para habitação, o intervalo corrente de mercado situa-se entre 120€ e 250€ mais IVA, com a taxa de registo no SCE já incluída. O valor concreto depende da tipologia, da localização do imóvel e da complexidade dos sistemas técnicos. A parte tabelada desse total vai de 28,00€ num T0 a 65,00€ num T6 ou superior.
Quais são as taxas ADENE e o que é que elas pagam?
São as taxas de registo e emissão do certificado no portal SCE, fixadas por portaria e iguais em todo o território. Na habitação: 28,00€ para T0 e T1, 40,50€ para T2 e T3, 55,00€ para T4 e T5, 65,00€ para T6 ou superior. No comércio e serviços vão de 135,00€ até 5.000 m² de área interior útil de pavimento a 950,00€ acima disso. A todos acresce IVA. A taxa paga o registo, não paga o trabalho do perito.
A taxa ADENE é o preço do certificado?
Não. A taxa é apenas a componente regulada do preço, e é a mesma para toda a gente na mesma tipologia. Os honorários do perito qualificado somam-se a ela e não são tabelados. Um orçamento que anuncie apenas o valor da taxa está incompleto.
Porque é que os orçamentos variam tanto se a taxa é fixa?
Porque a concorrência incide toda sobre a outra metade. Sendo a taxa igual para todos, a diferença entre um orçamento de 140€ e um de 220€ está no tempo de levantamento presencial, na deslocação e na verificação das soluções construtivas. É essa a parte que determina se a classe atribuída descreve o imóvel.
Quanto tempo é válido o certificado que estou a pagar?
Dez anos para edifícios de habitação e para edifícios de comércio e serviços, e oito anos para os grandes edifícios de comércio e serviços (GES), contados da data de emissão. Obras de renovação de grande dimensão obrigam a nova certificação independentemente do prazo em curso.
Conclusão
Comparar orçamentos de certificação energética sem separar as duas componentes leva sempre à mesma decisão errada. A taxa de registo no SCE é a mesma em todas as propostas, dos 28,00€ do T0 aos 65,00€ do T6, mais IVA. Tudo o que distingue um orçamento de outro está no levantamento, e é o levantamento que decide se a classe resiste quando um comprador ou um banco a confrontar com o imóvel.
A Certificação Energética InspectOS é emitida por perito qualificado reconhecido pela ADENE, com o valor apresentado de forma discriminada e a taxa de registo incluída. Custa uma fração da coima de 250€ a 3.740€ por ausência de certificado válido, e menos ainda do que uma classe que não se sustenta no dia da venda.
→ Agendar Certificado Energético · obtenha um orçamento em inspectos.pt/inspecoes-residenciais
Atualizado agosto 2026 | Revisto pela Equipa de Engenharia InspectOS, licenciada pela Ordem dos Engenheiros | InspectOS Portugal
Fontes: Decreto-Lei n.º 101-D/2020, de 7 de dezembro, Art. 35.º, n.º 1 · Decreto-Lei n.º 11/2025, de 19 de fevereiro · Portaria n.º 349-A/2013, de 29 de novembro, alterada pela Portaria n.º 115/2015, de 24 de abril e pela Portaria n.º 39/2016, de 7 de março (taxas de registo no SCE) · Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), sce.pt · ADENE, Agência para a Energia · ADENE, Energia em Números, 2025 · Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) · idealista/news, dezembro de 2025, e habitissimo (intervalos de mercado)

